Para avaliar resultados de um chatbot para advogados, acompanhe cada contato desde a primeira mensagem até a consulta realizada. Defina o que é uma demanda adequada ao escritório, revise conversas reais e compare contatos recebidos, qualificados, agendados e atendidos. Essa sequência mostra onde o atendimento precisa de ajuste.
Como avaliar resultados de um chatbot para advogados
Contar mensagens recebidas é um começo, mas não responde se o chatbot ajuda o escritório a conversar com as pessoas certas. Uma mesma pessoa pode mandar dez mensagens, voltar no dia seguinte e ser contada duas vezes. Para medir o atendimento, use contatos únicos e acompanhe o que aconteceu depois da conversa automática.
O chatbot deve facilitar a comunicação e deixar claro quando um profissional assumirá o atendimento. O Provimento 205/2021 da OAB admite seu uso para esse fim, sem afastar a pessoalidade, o poder de decisão e a responsabilidade do advogado. Esse limite também ajuda a desenhar uma avaliação mais útil: o sistema organiza o primeiro contato; a equipe decide como conduzir a consulta.
Passo a passo para revisar conversas e medir consultas
- Defina o que significa qualificado. Em uma planilha ou no CRM, registre as áreas atendidas, a região de atuação quando relevante e as informações mínimas para encaminhar a conversa. Por exemplo: um escritório focado em direito trabalhista pode classificar uma dúvida sobre rescisão como demanda dentro do escopo e uma consulta tributária como fora do escopo. Evite pedir documentos ou detalhes sensíveis antes de haver necessidade.
- Abra o histórico de conversas. No painel do chatbot, procure a área chamada Conversas, Atendimentos ou Caixa de entrada; o nome varia conforme a ferramenta. Filtre os últimos 30 dias e exporte os registros, se houver essa opção. Conte cada pessoa uma vez no período e registre a data do primeiro contato.
- Crie etapas de acompanhamento. No CRM para advogados ou em uma planilha, use as colunas: contato recebido, demanda dentro do escopo, encaminhado a uma pessoa, consulta agendada, consulta realizada e motivo de encerramento. Vincule todas as etapas ao mesmo contato. Se o escritório já usa um CRM, confira se o agendamento e a presença na consulta são atualizados pela equipe, não apenas pelo chatbot.
- Revise uma amostra de conversas. Toda semana, leia pelo menos 20 conversas, ou todas se o volume for menor. Inclua atendimentos que avançaram, foram abandonados e foram encaminhados sem necessidade. Anote perguntas repetidas, respostas confusas, pedidos excessivos de dados e momentos em que a pessoa solicitou ajuda humana.
- Calcule a passagem entre etapas. Divida os contatos dentro do escopo pelo total de contatos únicos. Depois, divida as consultas agendadas pelos contatos dentro do escopo e as consultas realizadas pelas agendadas. Compare períodos com o mesmo critério. Para não avaliar conversas ainda em andamento, espere um prazo fixo, como sete dias após o primeiro contato, antes de fechar cada grupo analisado.
- Ajuste um ponto por vez. Se muitas pessoas dentro do escopo param na mesma pergunta, simplifique-a. Se pedem um advogado e continuam presas no fluxo automático, antecipe o encaminhamento humano. Registre a data da alteração e observe as conversas seguintes antes de fazer outra mudança.
Para organizar a passagem entre automação e equipe, consulte os critérios de encaminhamento humano no chatbot. Se o atendimento ocorre pelo WhatsApp, vale conferir também como estruturar um chatbot para advogados no WhatsApp.
Quais números mostrar na reunião do escritório?
Imagine que, em um mês, 80 pessoas iniciaram conversa. Destas, 50 trouxeram demandas dentro do escopo do escritório, 20 agendaram uma consulta e 15 compareceram. A taxa de contatos dentro do escopo foi de 62,5% (50 ÷ 80). Entre eles, 40% agendaram (20 ÷ 50). Dos agendamentos, 75% se tornaram consultas realizadas (15 ÷ 20).
Esses números descrevem etapas diferentes. Se o escritório olhar apenas os 80 contatos, poderá confundir movimento com consultas efetivas. Se olhar apenas os 15 atendimentos, perderá a chance de descobrir em qual etapa as pessoas pararam. Registre também a origem do contato, quando conhecida, para comparar canais sem atribuir ao chatbot um resultado produzido por outra ação.
Leia os indicadores ao lado das conversas. Uma queda nos agendamentos pode ocorrer porque o bot fez uma pergunta difícil de entender, porque não havia horários disponíveis ou porque a equipe demorou a responder após o encaminhamento. O número aponta onde investigar; o histórico mostra o que ocorreu.
Erros comuns
- Chamar toda conversa de lead qualificado. Primeiro verifique se a demanda se encaixa no atendimento oferecido pelo escritório.
- Contar agendamento como consulta realizada. Mantenha as duas etapas separadas e confirme a presença com a equipe.
- Somar mensagens em vez de pessoas. Deduplicar contatos evita inflar o volume quando alguém retorna à conversa.
- Julgar o chatbot sem ler conversas. Uma taxa isolada não revela perguntas mal formuladas nem encaminhamentos tardios.
- Deixar o bot avaliar o mérito do caso. Use a automação para organizar informações iniciais e preserve a análise jurídica para o profissional responsável.
Checklist final de avaliação
- Defini o que é uma demanda dentro do escopo do escritório.
- Registrei contatos únicos e a data da primeira mensagem.
- Separei contatos recebidos, adequados, agendados e consultas realizadas.
- Li conversas que avançaram e conversas que pararam no meio.
- Conferi se o encaminhamento humano funciona quando necessário.
- Registrei cada ajuste no fluxo para comparar os períodos seguintes.
Faça essa revisão mensalmente com quem atende e com quem realiza as consultas. O objetivo é decidir se as perguntas do chatbot ajudam a iniciar uma conversa útil e se o escritório consegue dar continuidade a ela. Para aprofundar os critérios da primeira etapa, veja como um chatbot pode organizar a qualificação inicial de contatos.
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